li marés há muitas

11/26/2006

menos um nesta terra.

Mário Cesariny



É preciso dizer rosa em vez de dizer ideia
é preciso dizer azul em vez de dizer pantera
é preciso dizer febre em vez de dizer inocência
é preciso dizer o mundo em vez de dizer um homem

É preciso dizer candelabro em vez de dizer arcano
é preciso dizer Para Sempre em vez de dizer Agora
é preciso dizer O Dia em vez de dizer Um Ano
é preciso dizer Maria em vez de dizer aurora


de Manual de Prestidigitação, Assírio e Alvim

.....................

a gente já se encontra. ou não. RIP

7/06/2006

no fim das férias mudei-me

faço-o sempre.

agora estou bem por lá e vou continuar, não gosto de voltar para trás, feitios...

é a eterna mente que me trai.

quem quiser aparecer será bem recebido como sempre.


dennis mecham

7/01/2006

o meu direito à consciente loucura



Viva a selecção! Vivam os marcadores e os outros!
Viva Ricardo
e

Viva Portugal!





Parabéns!

Gente de raça e sangue côr de bandeira.

6/30/2006

Obrigada

a quem me desejou aqui ou no autumn winter, boas férias.

Paul Williamson


um bom fim de semana para todos!

6/09/2006

até Julho

photo of Mike Massee

eu e os meus blogs vamos de férias a partir de amanhã. estejam à vontade e fiquem bem.

- obrigada Nadia. tu sabes onde estou.

Ester subiu o monte. pensou todo o caminho. rasgou a foto do pai desconhecido e atirou-a ao ar.

at Foundmyself

- prefiro ver o mar como se fosse pelos teus olhos a ter que olhar para ti, que nunca vi nem sei.

soltou um grito selvagem, espantou um pássaro lira que abriu as asas musicais para voltar a poisar, não eram horas já de voos longos. sorriu enfim.


by Stephen Bay.

entrou na velha casa do moleiro como se fosse sua desde sempre e em muito pouco tempo adormeceu.

huntske


de manhã recordou as emoções da véspera. deu consigo a pensar:

- podia procurá-los. estão vivos ao que sei.
mas para quê? que saudades posso ter do que não experimentei? cada um tem a vida que escolheu como eu terei a minha.

estou de férias e o ar aqui está bem mais puro agora. nunca tive tanta vontade de viver.

bebeu café solúvel com biscoitos e saiu para a rua.

subiu de novo ao rochedo da maldição e como a esconjurar demónios, estendeu-se sobre ele tal um lagarto ao sol.

Foundmyself

Fim

6/08/2006

como um copo que transborda


Nadia ergueu-se e disse de rajada enquanto se dirigia para dentro de casa:

- desculpa-me Ester, estou a ser cretina. que culpa podes ter? vou mostrar-te o teu pai.

voltou com uma foto.

- aposto que a tua avó nem falou dele.

Ron Seymour

os pergaminhos de família não lhe permitiam lidar com a verdade. podes guardar a foto, tenho mais. eu adoro o meu pai, apesar disto tudo...

- como foi que acabou ? não vou perguntar mais nada. prometo ir-me embora e tu esqueces depressa que me viste.

- eu não quero esquecer. quem esquece não aprende.

como podia acabar? a tua mãe engravidou. ele divorciou-se para assumir a filha que entretanto, por recato, a tua mãe tinha ido ter para outra quinta de família, queriam que nada se soubesse. não se soubesse a vida a crescer.

apareceste depois ao colo de uma ama. da tua mãe, nem rasto se viu mais. daí todo o mistério à sua volta.

- abandonou-me.

- não. abandonou-se.

o pai voltou a vê-la. infantil como quase todos os homens são, correu-lhe para os braços. sem perguntas. inteiro. cheio de amor.

uma manhã despertou sem ela ao lado. encontrou-a. regressara aos seus hábitos, adquiridos na capital depois de ti.

- mas que hábitos?

- não sabia ganhar a vida com trabalho. nunca tinha aprendido. só aprendera o sexo. foi isso que ela usou.


Pavel Krukov

silenciada, Ester não fez uma pergunta mais até ao fim da narrativa da irmã.

- ele, de triste pelo que viu, voltou ao mar.

Carl Maples

ainda me enviou lembranças de países distantes, muitas vezes. depois parou em Amesterdão e nunca mais voltou.

a minha mãe casou com um comerciante de uma cidade próxima e fez a vida dela.

é tudo Ester.

- então estão todos vivos.

- sim.

- a minha avó devia ter-me dito.

- deixa. de que te serve pensares nisso agora? ela morreu.


(continua)

não foi difícil encontrar a casa

onde viveria a meia-irmã. toda a montanha era quase deserta excepto de pastores e de um curandeiro árabe de quem ninguém sabia já a idade.


blueheaven.net

atravessou a ponte de madeira. Nadia parecia esperá-la no alpendre da casa simples, de madeira.

- sempre vieste.

- tinha de vir. estás bem?

- estou sempre bem. as doenças e as mágoas são coisa de desocupados da cidade. aqui não temos tempo para sofrer.

- és muito dura.

- sou como sou e pronto. diz o que queres saber.

- é sobre os nosso pai. como era ele?

- um marinheiro que se enterrou num vale e numa mulher cercada de preconceitos mas, nem por isso mais pura que ninguém.

- falas da minha mãe?

- que te parece?

- não era pura?

- o meu pai era casado e eu já existia. só lhe sobraram mesmo os preconceitos da tua avó e, a fachada.
apareceu mascarada no primeiro encontro. se não gostasse do homem, desaparecia sem ser reconhecida. truques de velha.


Clarissa Schwarz

- cala-te!

- afinal, queres ouvir ou vinhas para que te contasse uma história de fadas?

- quero a verdade. mas, como sabes que ele lhe contou?

- vi. um dia a minha mãe, desconfiada das saídas dele sem razões consistentes, antecipou-se e encontrou-a à espera na casa abandonada. levou-me por não ter com quem me deixar. ouvi tudo. sei que ela lhe contou e lhe pediu que a deixasse voltar a ser feliz.

chorei todo esse dia. não consigo esquecer.

depois disso, numa tarde em que o vi perfumar-se e sair pelo quintal das traseiras, seguiu-o. vi-os. eu própria. e sabes quem odiei? a tua mãe.

ashkev huntske

- ela não conta isso no diário... entendo-te. teria sentido o mesmo nessa idade.

- não te consoles: sinto-o ainda hoje!

subitamente, um fosso estava aberto entre as duas irmãs e nenhuma sabia se o devia ou queria voltar a transpor.

(continua)

6/06/2006

o sol já se pusera atrás do monte

mas ela sorria como se fosse manhã clara ainda. uma foto na mão, a primeira, a única.

- eu tive mãe. eu tive mãe como as outras raparigas do colégio.

abriu uma lata de ervilhas e foi para fora de casa, comê-la ao som do ruído do vento sobre os ramos.


By Lucy Hollis

- um encontro com um desconhecido, blind date. pela forma como o narras deve ter-te sacudido toda, abanado, despenteado a alma como aquelas árvores que eu adoro à beira rio.

jenny ellerbe

sei agora que o meu pai foi marinheiro. um marinheiro que veio aos montes por uma herança e cá ficou. gaivota em terra mãe... devias ter pensado.

correspondiam-se através de um anúncio de jornal. tanta era a solidão? entendo. ainda é. sente-se o peso dela como o das asas de águia que nos sobrevoam. e tu não tinhas como sair daqui. a avó nunca o permitiria. eu sei como ela era.

e o pai? como seria o pai? que te fez ele? porque acabou mal a tua história? onde foste? para que foste? nada disso está no diário. nada. só amor. muito, imenso, intenso e raro amor.


Fred Elis

entendo agora o nome dado à pedra branca que faz lembrar corpos. eram vocês aqui, petrificados. mas qual e porquê a maldição?

de manhã vou procurar a Nadia. ela tem de saber mais do que eu ou não teria vindo procurar-me. e além do mais, ela é minha irmã. estranho, até tenho uma irmã...


Almor Loucao

deixou-se assim ficar, como num sonho, até adormecer sobre um tufo de flores. noite de primavera.

(continua)

6/05/2006

- não precisas sentar-te, vem comigo.

- engraçado, dás-me ordens e ainda nem me disseste o nome...

- que é um nome? pouca diferença faz. posso dizer-te mas que ficas a saber de mim?

- nada de facto, mas saberei como chamar-te.

- vais estar muito ocupada até quereres falar-me se é que vais querer. o nome é Nadia, no entanto. vem!


Susan Underly

o sol ia já alto e elas não paravam de subir.

- estou cansada Nadia. que me queres afinal?

- dar-te o que é teu.

encontrei ali no meio daquelas pedras coisas que deves gostar de ter agora. quando te vi subir voltei a po-las lá. nem sei porquê. é mais como se tivesses sido tu a encontrá-las...

Leonid Belsky

- o local é bonito.

- entra. está tudo ali num canto. tal qual os encontrei

- que livros são estes?

- da tua mãe.

- como vieram aqui parar?

- era aqui que se encontravam muitas vezes os amantes da rocha da maldição: o meu pai e a tua mãe.

- que dizes? conta-me tudo.




mas quando ergueu os olhos dos velhos livros escurecidos pelo tempo, Nádia já lá não estava.

tocou os livros como quem toca seda pronta a desfazer-se ou um rosto de criança. era o primeiro contacto com a mãe desde que tinha memória.

uma realidade nova lhe caíra nos braços com aqueles livros. sentou-se sobre a erva com muita vontade de rir ou de chorar.

de entre os livros mais grossos caiu um outro. era um diário. até o sol começar a esconder-se e obrigá-la a descer para não cair, ficou-se ali, a ler toda uma vida.

(continua)

- necessito de férias.

por uma daquelas partidas da memória provocadas pela dor e pelo cansaço, a quinta da avó deixara de lhe parecer agradável.

- sei que acabarei por vendê-la. que ia fazer sozinha no imenso casarão? não faz sentido.

a poucos minutos de automóvel e já lhe parecia assombrada a casa de infância.

Zabaa

- posso bem acampar por aqui, perto do rio. depois decido o que fazer. hoje não sou capaz.

vencida pelo cansaço, acabou por dormir. despertou-a o sol. é assim no campo. o sol e o ruído das aves matinais.

olhou a pedra branca da maldição, sorriu.
viera disposta a afrontar papões. todos. desceu à cidade por um banho uma despedida e mantimentos.

Sasha Fttenhain

olhou longamente a casa onde fora tão feliz quanto uma órfã pode ser.

Sasha Fttenhain

- desculpa avó, sei que não vou voltar. deixou de fazer sentido sem ti, este lugar.
por aqui alguém há-de saber contar-me a minha mãe. não partirei sem isso.

meteu-se no carro e regressou ao seu acampamento improvizado. tirou as vestes escuras. vestiu-se de montanha e decidiu caminhar enquanto congeminava um plano.

Sasha Fttenhain


junto da pedra da maldição, uma rapariga de cabelos rebeldes, aproximadamente da sua idade, estava sentada e olhava-a.

- bom dia. és daqui? que fazes num lugar assim, desabitado?

- se não estivesse à tua espera, perguntava-te o que tens tu com isso.


o tom era ríspido, a voz não.

- desculpa, eu...

- não te expliques. sei o que aconteceu. por isso vim. lamento a tua perda.

Margarida sentou-se, encostou-se à pedra branca e aguardou. que podia uma estranha querer dela? e como a sabia ali se não dissera a ninguém?

(continua)

6/03/2006

estacionou o carro. tirou o saco cama

não estava em condições de montar a tenda. a tristeza e o cansaço não lhe permitiram sequer chegar até ao fim, ao topo do penhasco.

conhecia de cor aqueles caminhos e veredas.
tudo naquela zona estava pejado de histórias, até a casa do guarda florestal que se avistava de uma curva da estrada.

Huntske

os olhos habituados ao escuro evitavam até o arame farpado que ainda sobrara da cerca da antiga casa, onde iria albergar-se.

Huntske


- hoje precisava de ti mãe e mal sei quem tu foste.

sei que era a única órfã do colégio e que isso era mau. agora partiu a mulher que sabia de ti mas nunca disse. porquê mãe? porque é que ninguém fala de ti?

disseram que morreste mas nem o onde sei.

- não foi aqui, deixa isso menina, são coisas tristes. de que serve falar? não te chega o amor da tua avó?

habituei-me a não perguntar nada. a escutar só, na esperança de que os adultos entre si revelassem o segredo, mas não consegui nada. minto, houve uma frase dita por uma vizinha na loja de cortumes:

- não fosse aquele maldito e ainda aqui estaria na terra ao pé de nós. era linda. lembras-te? parecia um anjo...

a avó partiu sem me contar. não tinha esse direito!

não saio daqui sem te saber, mãe. prometo agora.

Dennis Pearson.

acendeu a lanterna. atirou o saco-cama para o chão do quarto. deitou-se sobre ele mas, não adormeceu.

(continua)

6/02/2006

Blind date - I

tinha de encontrar aquele sítio de que se lembrava desde menina. não tinha pressa, estava de férias mas sempre fora de não deixar nada para amanhã se estava ainda a tempo de o fazer.

- sei lá se há amanhã!

dizia sempre.

não tinha qualquer fé. qualquer superstição. tudo o que havia era explicável cientificamente e era conhecido ou no máximo ainda em investigação, mais nada.

Gwena Bollinger

por isso subia de noite a estrada íngreme. viera de longe ao funeral da avó, mas não era pessoa de extensos choros ou anedóticos velórios, onde todos contam piadas em surdina para esconjurar a morte.

ia directa ao sítio que mais lhe recordava a avó querida, a pedra da maldição, junto ao qual em criança lhe escutara a voz suave contar uma lenda densa de mistério, pelo menos para os seus ouvidos desse tempo.

at haloimages

como olharia hoje para aquela estranha pedra branca em forma de gente, no topo do penhasco?

era isso o que queria descobrir.

e também, através desse segredo partilhado reencontrar a avó que não queria perder. não perderia!

- só morre quem se esquece. eu não te esqueço, avó!

(continua)

Todos os dias são dias para isto

Paal Benthal

6/01/2006

não há dias onde caiba isto.

José Silva Pinto

5/31/2006

porque sim

Doug Stewart


boa noite.

5/29/2006

Blind date vai a banhos

robert langloi

o tema será este e para quem souber francês, a letra da canção do Brel fica no ar. tem tudo a ver com o próximo post. não gostei ou não me apetece continuar o que comecei ontem.

entretanto, faço uma pausa até desaparecerem os curiosos não frequentadores deste blog, a não ser por uma curiosidade semelhante à que leva os portugueses a parar quando há um acidente, na esperança de ver sangue.

até à minha volta e, por causa do calor aconselho muito chá, o meu é sem açucar e verde de preferêncía.

até breve.

fiquem bem!

próximo tema

blind date by Katerina Marianou

5/28/2006

medo

Kelly Munce

medo de tudo, medo do papão
da boneca com olhos de vidro
do polícia do cão.

assim começavam uns versinhos que ela escreveu quando em menina, se escondia dos outros para viver.

um dia, sabe-se lá porquê ou como, o medo foi-se embora e não voltou. ela ficou contente mas estranhou.

seria porque uma cria lhe crescia no ventre até ali liso, espalmado, tipo cana de pesca, frasquinho, miss estaca, palito e outras coisas simpáticas que alguns homens portugueses dizem, alarvemente, às mulheres que não têm silicone?

só podia ser isso. essa força-raiva-de-fêmea adulta a defender a cria.
nem quando a polícia política lhe invadiu a casa. madrugadinha ainda e a levou, tremeu.

mas esta noite, esta noite não sei se durmo em paz, eu não, essa menina assustada, a dos versinhos. é que anda tanta ameaça virtual no ar, que ainda me entram pelo fio do telefone e me matam, no mínimo. ou então, como já por aí li , me atiram pedras aos telhados de vidro.

que chatice eu ter uma vizinha por cima que, com o barulho nas telhas, que são dela, também não vai dormir.

é que estes ataques são à noite, sempre à noite, ou então como dantes: madrugadinha ainda.

5/27/2006

ser

foto LMatta


ser mãe quando foi hora

mulher sempre.

ser dor quando difícil

o espaço de raíz.


sonhar água

onde parece não havê-la.


mas onde os outros

não vêem uma estrela,

sorrir-lhe de feliz.

5/26/2006

"é só fumaça!" quem é o dono disto?

Fotosearch

dos quatro cantos da Terra

vem ruído de pregões

uns dizem "Fotos das minhas"!

e outros vendem limões.

Photo by Mill House.

as avezinhas aprendem

desde novas esses sons

e perderam o cantar,

desafinaram os tons.


at Fotosearch

a Bíblia de quem será

de judeus ou de "cristões"?


ou : "Comprem estes limões" ...



escrevia-se para ser lido

nos bons tempos deste povo

hoje nada faz sentido:

vendem-se é blogs a rodo.



afinal de quem sou eu?

a quem pago a autoria?

ao meu pai, à minha mãe?

e se herdar a minha tia?...



William


tento tapar os ouvidos

mas oiço até às vizinhas:

- compre-me estes limõezinhos!

- não, compre é fotos das minhas!



Nota da autora: esta versalhada é minha e as fotos não, porque não tenho cheta para mandar cantar um cego quanto mais para comprar uma Nikon.

Todos os Direitos Não São Reservados.

Bom Fim de Semana e pelas alminhas, conduzam pela Esquerda!


5/25/2006

vim com a morte nos pés

René Asmussen

a minha rua é só restolho de obras, cascalho esbranquiçado cimento e pó.

há marcas de pneus e pés de gente. entre eles estão os meus. rasto pouco, de breve duração.
mas há marcas maiores que recusam apagar-se, as do carro da morte que veio por duas vezes visitar o bairro esta semana.
aqui morrem os jovens, ao colo de duras varinas de oitenta e poucos anos, os filhos delas.

sida ou hiv, como quiserem. hepatite A ou C? isso que dá?

a morte veio ao bairro e está à espera nas marcas ainda por esbater.

eu vim hoje aqui só saudar a vida. é um bem precioso, a aproveitar.

sejam felizes. todos! que a felicidade, essa é preciso construir.

5/24/2006

enfim pó.

um sinónimo é uma palavra que se usa quando não se sabe escrever a primeira palavra em que se pensou.

- Burt Bacharach

Etruscan and Roman Antiquities
at Insecula.

sei escrever exausta. ainda sei. não sei é as asas nos pés para me erguer, para me elevar acima das marés que me derrubam dia após dia nos momentos fracos.

momentos fracos? que mentira a minha!
eu já nem isso tenho. não os sei ter nem posso. endureci demais. a vida fez-me pedra.
carrego o meu peso de estátua pelas ruas e olho os outros com a expressão bela e fria que o vento me esculpiu.

engraçado. são todos carne e osso. só eu não. e no entanto, passo no meio deles. não me vêem. porquê?

quero lá saber!

quero é um escopro e um martelo que tenham força para me desfazer. e eu possa enfim voltar a ser poeira e ar.

5/23/2006

cançãozinha de pé descalço.

Gerhardt Thompson.

trago os pés doridos
longa a caminhada.
nada já me prende
à beira da estrada.

vou-me pela noite
de veredas mais nobres
vazias de luzes
e de lixos pobres

deitados dos carros
de quem passa lesto
deixando para trás
o que sabe a resto.

ponho os pés na água
macia do lago
a noite e o silêncio
são-me já afago.

e para trás deixei
ruídos, zumbidos
dos meus saturados
cansados, ouvidos!

5/22/2006

não devia ter deixado aberta

a vigia do barco.

dai ter sido minha a culpa do ataque.


da net

toda a gente conhece o veneno do minúsculo e insignificante peixe-aranha. que morde por morder, nem olha a quem.

cá para mim o animalejo tem complexos em relação ao escorpião...

mas o escorpião morde se o pisam, este não.

com um ego do tamanho de um golfinho, define um território em proporção e, ai de quem deixe a porta aberta ou melhor: o pé a jeito.

foi o que aconteceu: a figurinha atacou-me e eu deixei a praia enraivecida mas, sem sequer ter tido coragem de a pisar. coisas de educação judaico-cristã...

agora. queimada a mordedura e aprendida a lição, ou seja: não dou boleias de barco a peixes poluídos, sejam eles peixe aranha ou alforrecas. aqui estou a reabrir o blog.

boa semana a todos.

(por estas e por outras é que eu prefiro as praias no inverno.)

Blowup.